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Do sentido ao sem-sentido

O ano letivo começou dentro de uma normalidade possível. A luta dos professores continua sem que se preveja o seu desfecho. Com o extremar das posições é certo que o agudizar da luta se irá manter.

A maioria das escolas abriu, com os professores colocados, mas, ainda assim ,com algumas lacunas que entravam o bom funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

Se temos direito a que se contabilizem os 9 anos em que a carreira esteve congelada? Claro que sim, se não para que estivemos a trabalhar.

Emprestas-me um lápis cor de pele?

Há cerca de um mês terminou mais um ano letivo. As nossas crianças foram gozar as merecidas férias, enquanto os seus docentes iniciavam mais uma luta, justa para muitos e descabida para outros. Já agora só um parêntesis: imaginem não contarem 9 anos de escolaridade aos vossos filhos. Se o tempo não existiu para os professores como foi possível as crianças evoluírem durante este período? Mas não é disto que hoje vos quero falar.

Quando os danos colaterais são os mortos e os feridos

Já não existem palavras aveludadas, estas apenas refletem mágoa e revolta. Os escritos já só conseguem exprimir realidades obscenas e sentimentos marcados pela insubmissão. O meu acervo dos sonhos vai-se esgotando e, chegar a acordo com o tempo, começa a não estar nos meus planos.   

Enquanto se exuberam essências, as catarses coletivas vão-se impondo pelo mundo fora.

Tinha, inicialmente, pensado escrever sobre Maio de 68, sobre os encantos e os desencantos de juventudes vividas de esperanças e de poéticas sonhadas e sempre adiadas.

O futuro da Europa está a passar por aqui!

Como todos os anos, mais uma vez voltei a descer a Avenida da Liberdade, sempre na melhor das companhias.

Viver Abril continua a ser a celebração das liberdades, liberdades que cada vez mais prezo. Foi por isto que sempre me vinculei a combates onde os fundamentos permanecem para além da relativização das ações.

Hoje, viver Abril é manter vivos ideais em que nunca deixei de acreditar. Onde todas as lutas têm vitórias e reveses, em que a subversão dos pensamentos continua a ser imprescindível, marcando objetivos.

E se Hannah Arendt fosse viva?

Hoje vou imaginar cenários inviáveis.

Se Hannah Arendt cá estivesse o que pensaria e escreveria sobre o que se está a passar na Síria, em Myanmar, no Afeganistão, Turquia, Venezuela, Brasil…O que escreveria ela sobre o assassinato de Marielle Franco, sobre a crise dos refugiados, sobre as políticas racista e xenófoba?

Educar entre o rigor e a alienação

Não tendo, inicialmente, previsto dedicar o texto deste mês à temática das religiosidades impostas às crianças entre os 5/6 anos, fui recentemente confrontada com esta realidade. Assim, senti a necessidade de lhe dedicar algumas linhas.

A EMERGÊNCIA DE UMA CERTA RAZÃO DE ESTAR

Começou um novo ano, por esta altura todos fazemos promessas, a nós próprios, sobre aquilo que queremos alterar ou mesmo banir. Mas esta emergência de uma certa razão de estar confronta-me com binariedades, com dualismos entre o certo e o errado, confronta-me com ambiguidades permanentes.

Os movimentos disruptivos vão surgindo e, por vezes, apoderam-se dos nossos dias enquanto as economias discursivas vão impondo os seus limites.

DESCOMPLIQUEMOS UTOPIAS

Há muito tempo que assuntos ligados aos refugiados passaram para um plano inferior na nossa comunicação social. Mas a verdade é que eles continuam a existir, há barcos que continuam a fazer-se ao mar e os naufrágios a acontecer; há etnias que continuam a ser perseguidas e outras que vão sendo exterminadas; existem milhares de seres humanos deslocados dos seus países pelas mais diversas razões. O tempo vai passando, os acontecimentos vão-se repetindo e a normalidade instala-se.

UM NOBEL FRAUDE

A binariedade entre o certo e o errado, aplicado à atual economia discursiva, auto-impõe limites, maioritariamente, não credíveis.

Estou a falar da situação do povo Rohingya.

Vivendo em Myamar, habitam uma prisão a céu aberto, sujeitos a todo um tipo de atrocidades, de restrições, de trabalhos forçados, de restrições à liberdade de circulação, de extorsões, de regras de casamento injustas e confisco de terras.   Com cidadania recusada pelo governo e acusados de práticas violentas sobre a maioria budista, vivem um apartheid consentido.

RODJA: SINÓNIMO DE LIBERDADE

Foi há poucos dias que conheci o significado do nome de Rojda Felat.

Defensora das liberdades perdidas, merece que dediquemos alguns minutos, para melhor a conhecermos.

Mulher de origem curda, comandante das Forças Democráticas da Síria (FDS), exército de mais de 10 mil homens e mulheres, chefiou a tomada de Raqqa ao Daesh. Com cerca de 37 anos, combatente pela liberdade e representante das mulheres livres, aparece-nos sem o lenço a cobrir a cabeça e trajando uniforme militar. É “apenas” uma muçulmana livre.

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