13 Setembro 2016      12:04

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A IMPORTÂNCIA DE UMA ECONOMIA 4.0

A relevância da inovação e das start-ups para a nossa economia vai muito mais para lá do que o próximo Web Summit. Para os mais distraídos, o boom das start-ups não está a iniciar-se agora, mas sim, há 4 ou 5 anos atrás, com o nascimento de pequenas replicações daquilo que se passa em Silicon Valley, no ecossistema super desenvolvido americano. Quem esteve atento, soube do aparecimento da plataforma Uniplaces que há pouco conseguiu a captação de investimentos na ordem dos 20 milhões de euros, ou da Talkdesk, que desenvolveu um sistema de software que permite a criação de call centres pessoais, ou a Apptoide, uma alternativa à Google Play Store focada nos mercados alternativos, como a China e Singapura.

Estas fontes de inovação trazem uma lufada de ar fresco à enferrujada economia portuguesa, isto porque, a inovação é um ingrediente indispensável para poder competir nos mercados internacionais. Portugal começa a desenvolver nos seus vários sectores, agroalimentar, industria ou serviços, capacidades tecnológicas interessantes, no entanto, essa não é a regra e muitas empresas ainda tem uma base arcaica de funcionamento. Não falo apenas das micro empresas, mas também, grandes empresas que estagnaram na passagem do tempo. Isto cria entropias e incapacidades que afastam os investidores do nosso tecido empresarial.

Voltando ao tema das start-ups, ao contrario do que muitos pensam, a oportunidade do presente não está a ser aproveitada, por mais que digam o contrario e argumentem com a Web Summit Lisboa, ou iniciativas como a Startup Portugal ou a Indústria 4.0, a verdade é que o país necessita de reformas. Um dos casos mais pertinentes é a política fiscal e o sistema burocrático português, que todos irão concordar, não é em nada “business friendly”. Pagamento de impostos antes de faturar, taxas elevadas, custos de funcionamento insuportáveis, complexa burocracia, são características de um sistema inflexível, inviável para start-ups, entidades bastante flexíveis mas frágeis.

A reforma do ambiente empresarial português é imprescindível, mas a melhora da rede de comunicação e partilha também o é. O país das capelinhas tem de ser deixado para trás e dar lugar a um país onde as empresas e start-ups estão ligados através de networks eficientes de partilha de know-how, recursos e experiências. Nesta rede, as universidades e institutos de investigação têm um papel importante, por isso, o reinvestimento nestes organismos terá de fazer parte da agenda do governo.

O facto de sermos um país pequeno pode-se tornar cada vez menos importante quando conceitos como the internet of things, o digital e a tecnologia são apresentados. A capacidade de sermos competitivos apenas está nas ideias e produtos inovadores que veem dos nossos empreendedores. Agora, está nas mãos das autoridades públicas criar as condições necessárias e os apoios para que tal aconteça, seja na captação de investimento, seja na reforma do ambiente fiscal, seja na criação de plataformas de incubação e desenvolvimento. Apesar de ser de louvar o trabalho de algumas incubadoras e aceleradoras neste país, ainda temos um longo caminho a percorrer para que exista uma vaga considerável de empresas competitivas a nível internacional, que possam ombrear com as maiores do sector.

Imagem de capa daqui.

 

 

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