22 Junho 2014      01:00

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Guarda nazi julgado 70 anos depois

Johann Breyer seria só o nome de um emigrante alemão, com 89 anos, a viver nos EUA desde 1952, não fosse o fato de ter sido um guarda nazi em Auschwitz e que foi agora acusado de cumplicidade na morte de 216 mil judeus.

Não fugiu nem desapareceu, Breyer vive em Philadelphia, pacificamente e as únicas ameaças que faz é ao cão do vizinho. A sua identidade há muito que não é segredo para ninguém, nem mesmo para os caçadores de nazis (pessoas que procuram e reúnem informações sobre ex-nazis no sentido de os levar a tribunal).

 

Auschwitz (imagem 2), situado no sul da Polónia, foi o campo de concentração nazi mais temido. Estima-se que tenham sido executados lá mais de um milhão de judeus e ciganos.

Breyer, passou a integrar a “Schutzstaffel”, mais conhecida como SS (força militar nazi), aos 17 anos e usou a insígnia da caveira e ossos (imagem 3), símbolo de pertença ao “batalhão da morte”, embora Breyer afirme que nunca fez mal a ninguém.  

Foi para os EUA em procura de uma nova vida; vida essa que conseguiu ter durante quase 70 anos, até que, na passada terça 17, foi preso em sua casa para enfrentar o tribunal.

Os vizinhos, que conhecem Breyer há mais de 20 anos, dizem que Breyer não se parece em nada com um criminoso de guerra. Ken Perkins, vizinho, afirmou ao L.A. Times, que Breyer é uma pessoa agradável e que não tem nada a ver com a imagem que a História mostra que foi um soldado nazi. Revela que vivia como uma pessoa vulgar, sem nada a esconder. Apesar de terem corrido rumores sobre o passado de Breyer, este nunca lhes deu importância. Mas defende também que, se Breyer cometeu os crimes de que é acusado, deve ser punido.

A versão dos acontecimentos de Breyer, de origem eslovaca, revelada pelas gravações do Tribunal, é a de que foi obrigado pelo presidente da sua terra a alistar-se nas SS e que quando foi destacado para o “batalhão da morte” em Auschwitz, se recusou a matar quem quer que fosse, tendo sido relegado para guarda de perímetro, longe das câmaras de gás, para onde o alemão diz nunca ter conduzido ninguém.

No entanto, Charlie Sydnor, presidente e director executivo do Museu do Holocausto, na Virginia, Estados Unidos, diz que os guardas nos campos de concentração faziam tudo o que fosse necessário para perseguir e maltratar os prisioneiros e que Breyer também o fez.

Aaron Breitbart, investigador do Simon Wiesenthal Center (uma organização que investiga e identifica ex-nazis), em Los Angeles, disse, novamente ao ao L.A. Times, que alegar que se é guarda de perímetro é um dos clichés mais usados pelos guardas que estiveram em campos de concentração após serem presos.

Ainda Sydnor, diz que gravações de Auschwitz mostram que o esquadrão de Breyer era responsável por levar os prisioneiros do comboio para a separação em que se decidia quem morreria e quem viveria, muitas vezes apenas mais uns dias.

 

Imagem 1 de U.S. Foreign Service, Imagem 2 de Tulio Bertorini e imagem 3 de Matheus Bohner

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