19 Fevereiro 2015      00:00

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Diz que é uma espécie de Gestor

Existe uma espécie de gestores a habitar nas grandes empresas, tanto na gestão intermédia como superior, que não tem a mínima capacidade para as conduzir, para gerar motivação nas suas equipas e, sobretudo, para criar mudança organizacional e diferenciação perante o mercado envolvente.

São gestores que ainda utilizam terminologia de gestão dos anos 60, completamente desactualizada e que não visa a abrangência dos novos conceitos, tanto perante os trabalhadores como perante a aplicação da gestão na prática.

São gestores que acham que a universidade serve para muito pouco, que é um lugar onde não se aprende nada de útil, confundindo desta forma o conhecimento científico, que é próprio da academia, com o conhecimento pela experiência, que é próprio dos anos a trabalhar numa organização.

São gestores que fazem cumprir as suas ordens com base no medo e não da conquista de respeito, que querem produzir melhores resultados a tirar, restringir e castigar em vez de optarem por dar, incentivar e reconhecer. Talvez devessem ter frequentado aquele local onde se aprende pouco chamado universidade, mas onde se analisam estudos de caso que demonstram que as empresas que mais dão aos trabalhadores (liberdade, reconhecimento, salário, até às vezes mais uma dia de folga que o normal) são também as que atingem melhores resultados.

Contudo, estes senhores recusam-se a alargar horizontes, estando estacionados numa zona de conforto onde pensam saber tudo, e que não há mais nada para aprender.

São produtores de “yes-men”, que lhes dizem “sim” a tudo, mesmo estando perante uma decisão má para a empresa: é melhor não nos manifestarmos, porque senão podemos ser despedidos, pensarão os funcionários…

Esta realidade não é perceptível aos olhos de todos, possivelmente por se criar uma imagem imaculada e ideal de algumas empresas, com especial destaque para as grandes. Contudo, a mesma realidade é verdadeira para algumas empresas, em número maior do que seria aceitável no panorama do tecido empresarial português.

O que mais me preocupa é o efeito que esta categoria de gestores causa nos jovens, nos que estudaram e acompanharam o desenvolvimento do conhecimento científico e académico, e querem e têm condições para fazer melhor, mas por vezes não conseguem devido ao efeito destas forças de bloqueio, da manutenção dos comportamentos e atitudes estagnatárias, da visão ofuscada e baseada numa actuação que já não serve às exigências da sociedade e do ambiente organizacional.

Um apelo que faço aos que convivem ou vão conviver com esta espécie é, tanto em contexto de trabalho como pessoalmente, procurem sempre construir pontos de vista estruturados sobre os assuntos com que se deparam, mesmo que representem uma perspectiva diferente em relação ao “status quo”, porque essa situação é um factor diferenciador positivo, é uma mais-valia por mostrar outro olhar sobre o problema e auxiliar numa possível decisão, juntamente com a revelação de uma postura corajosa, frontal e ponderada. Há várias formas de triunfar, há a que acabei de referir e há os “yes-men”, espero que não escolham a segunda.

Em alguns casos as coisas não vão mudar enquanto estes senhores não saírem das posições que ocupam, mas certamente noutras serão engolidos pelo mundo que os rodeia porque, felizmente, acredito que os bons ainda vão ganhar aos medíocres. 

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