9 Agosto 2019      12:31

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Castelo de Vide antigo em livro de fotografia

O livro Castelo de Vide | Apontamentos Fotográficos da autoria de Diogo Margarido, da Colibri, é apresentado no dia 15 de agosto (5.ª feira) às 10h30 no Edifício dos Paços do Concelho, em Castelo de Vide e é  autêntica viagem a Castelo de Vide do séc. XX.

Segundo António Pita, presidente da Câmara Municipal, Diogo Margarido, alentejano casado com Maria Baptista descendente de castelo-videnses, para além da casa emblemática da Rua do Arçário, "quis-nos também deixar olhares, ora a preto e branco, ora nos primórdios das películas coloridas, revelando Castelo de Vide na plenitude intemporal do Lugar. A obra de Diogo Margarido é extensa; assim nestes fragmentos antevê-se futuras oportunidades de contemplação da memória deste nosso Lugar; sendo cada apontamento uma afirmação da identidade castelo-vidense".

Para Julio Assis Ribeiro, especialista e crítico em fotografia "Diogo Margarido é um bom exemplo do particular contexto da fotografia e da fotografia amadora em especial, no Portugal da segunda metade do século vinte. Nascido fora de famílias ligadas ao ofício, num momento em que não havia qualquer via de aprendizagem formal e estética no campo fotográfico, a sua ligação à fotografia não teve início facilitado. Acabaria por a ela começar a aceder através do forte associativismo operário da zona do Barreiro, cujas bibliotecas alimentaram um espírito curioso e insatisfeito, com câmara emprestada, e sem acesso a laboratório, dependendo, como quase toda a gente na época, das casas comerciais para revelação e ampliação." 

Estando ligado ao associativismo fotográfico amador, inicialmente através do Grupo Desportivo da CUF, e da organização do seu Salão Internacional de Fotografia, Diogo Margarido furta-se aos defeitos que a inicial historiografia da fotografia portuguesa tendeu a apontar aos chamados "fotógrafos de Salão", a saber, uma tendência para se fixarem em jogos compositivos e lumínicos e numa temática centrada num pitoresco de raiz pictoralista. Olhando-se para a sua fotografia, para os milhares de negativos e diapositivos que realizou até ao presente, vemos uma obra que se furta a descrições categóricas e simples, que se apresenta muito mais como um exercício pessoal de reflexão, “uma necessidade, uma tentativa de resolver a questão que cada um de nós tem consigo mesmo”, como escreveria Gérard Castello Lopes acerca dos autores que se situavam à margem da fotografia dos salões. Tendo fotografado longamente, mercê da sua carreira profissional, a indústria e as suas instalações, fotografou igual e demoradamente os territórios do interior e as gentes amarradas a uma ruralidade áspera e difícil. Fê-lo mesmo com assinalável graça e familiaridade. Era aí que estavam as suas raízes e onde esse exercício subtil de decifração do excepcional na normalidade mais parece evidente.”

 

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