Um dicionário com mais de mil palavras, uma convenção ortográfica e uma gramática básica com exercícios práticos marcam o “primeiro passo” para a preservação do barranquenho, dialeto falado na vila raiana de Barrancos, no distrito de Beja. Os três documentos, trabalhados ao longo de décadas, foram apresentados no último Congresso Internacional sobre o Barranquenho, realizado em julho, e resultam de uma parceria entre o município e a Universidade de Évora.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Leonel Rodrigues, a criação de uma convenção escrita foi fundamental para uniformizar a forma como o barranquenho é registado. O dicionário, concebido como “obra aberta”, pode receber novas palavras em uso ou que façam parte da memória local e já está disponível numa aplicação móvel. A convenção ortográfica, por sua vez, foi elaborada com base em critérios científicos e deverá manter-se estável para evitar “caos gráfico” e insegurança entre os utilizadores.
A gramática básica inclui a possibilidade de revisões futuras, como a adição de exercícios didáticos, para facilitar a aprendizagem do dialeto. Para Leonel Rodrigues, esta padronização escrita permitirá não só preservar um bem cultural de interesse local, regional e nacional, mas também criar oportunidades como a legendagem de conteúdos e a promoção turística de nicho. O barranquenho, que combina elementos do português meridional com variedades espanholas da Andaluzia e Estremadura, foi oficialmente reconhecido e protegido por lei em 2021.
