8 Abril 2015      12:21

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Porque há actos que não nos podem passar ao lado

150! Sim, 150 estudantes foram barbaramente assassinados no Quénia por rebeldes do Estado Islâmico ligados à Al-Qaeda.

150 jovens que cometeram uma única e exclusiva ousadia perante os terroristas: assumiram-se como cristãos levando a que tal “confissão” lhes custasse a vida.

Continuamos a assistir a actos de barbárie como se assistiu no tempo do nazismo. Em prol de quê? De fundamentalismos escondidos atrás da religião, defendendo tudo a quanto esta se opõe.

Tão chocante como o acto em si, é o quase desprezo a que assistimos na comunidade internacional. Ainda há meses assistimos à revolta contra os ataques ao Charlie Hebdo. Prepararam-se manifestações de apoio, marchas com chefes de estado lado a lado como se quisessem realmente mudar algo na defesa dos direitos humanos.

Agora, 150 jovens são assassinados e a comunidade internacional permanece em silêncio. Um silêncio quase ensurdecedor perante a gravidade dos factos.

Quando um grupo de terroristas invade um edifício e decide entre a vida e a morte, tendo como critério a religião, a comunidade internacional não pode ficar calada.

Quando as autoridades responsáveis demoram sete horas a chegar ao local do ataque, deixando todo o tempo do mundo para que os terroristas assassinassem a sangue frio 150 estudantes católicos, a comunidade internacional não pode ficar calada.

É certo que este assassínio em massa não foi no centro da Europa, mas foram retiradas vidas, famílias ficaram sem os seus entes queridos, jovens viram o seu futuro ser-lhe retirado com um tiro na nuca.

É certo que todos somos Charlie, mas todos temos de ser Quénia. Se a comunidade internacional não denuncia, terá de ser a comunidade mundial a denunciar.

Basta de ver um grupo de fundamentalistas a assassinar pessoas sem qualquer critério em nome de princípios religiosos totalmente desvirtuados. Cada ataque tem de ser denunciado e severamente criticado.

Todos estes ataques são ataques que nos fazem ser Charlie.

Que em cada ataque se denuncie. Que em cada ataque se façam vigílias, marchas, se façam cartazes mas que nunca, mas nunca se volte a repetir este silêncio ensurdecedor em torno do assassinato de 150 estudantes.

Todos somos Charlie, sejamos também Quénia.

Sejamos a voz da liberdade em defesa daqueles que lhe vêm o direito a ela ser-lhes negado.

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