1 Outubro 2015      15:48

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OS CONTORNOS DE JOSÉ PINTO NOGUEIRA EM MORA

Com uma “Exposição de desenhos sobre o Concelho de Mora”, a inaugurar dia 10 de outubro na Casa da Cultura de Mora, o pintor José Pinto Nogueira confessa o seu total afeto pelo Alentejo, e a região de Évora, onde encontrou refúgio e colecionou amizades desde a sua juventude. O Tribuna Alentejo aproveitou a ocasião para conhecer melhor os motivos artísticos e o perfil deste artista que nos brinda com uma coleção 36 aguarelas.

Tribuna Alentejo (TA): Tendo estudado Design Gráfico em Londres, de 1966 a 70, como surgiu o interesse e a paixão pelo desenho e a pintura? E como é o dia-a-dia de um pintor, durante tantos anos ligado à comunicação, ou que espaço ocupa a arte na sua vivência?

José Pinto Nogueira (JPN): O desenho/pintura tem sido uma constante de toda a vida. A formação em Design permitiu uma carreira profissional de 30 anos ligado maioritariamente à imprensa. Esta circunstância foi determinante para que o desenho/pintura não tenham sido tão presentes ao longo desses anos, e tenha sido mais recentemente possível desenvolver projetos neste âmbito.

TA: Ao longo da vida quais foram os principais motivos que lhe chamaram à atenção e suscitaram interesse para utilizar como arte?

JPN: Para responder à sua pergunta, mas também no seguimento do que dizia atrás, durante a minha vida profissional, inúmeras foram as ocasiões em que tive a oportunidade de produzir desenhos, para ilustração de textos, capas de revistas ou livros, etc. Não posso dizer que existissem uns motivos principais.

TA: Dentro do contexto artístico em geral, quais são as suas maiores influências? E na pintura, quais são as suas principais referências?

JPN: Não é fácil responder. Tantas são as coisas que nos marcaram ao longo da vida... A pintura que mais me marcou começa com os impressionistas e sempre apreciei a pintura portuguesa dos "realista" (H. Pousão) e "modernos" (A. Carneiro) até aos "quase cubistas" (Sousa Cardoso, E. Viana). Aguarelistas como Turner é nome incontornável, mas também o mais recente David Gentleman e mesmo, o também contador de histórias aos quadradinhos, Hugo Pratt. Há com certeza uma forte influência do carácter gráfico da minha formação de gente como Alan Fletcher ou Bob Gill.

TA: Viajar é um pretexto ou uma necessidade para desenhar ou fazer arte?

JPN: Não necessariamente. "Desenhar ou fazer arte" é um imperativo interior, tanto se desenha a paisagem que se vê como aquelas que sentimos. Tem sido aliás uma certa constante no meu trabalho, que nunca surgiu oportunidade para expor, o desenho que espelha o que eu chamo de "paisagem interior", fruto da experiência de vida e dos sentires.

TA: E além da pintura, tem mais alguma expressão artística que goste de desenvolver ou explorar?

Não, é mesmo no desenho/pintura que me sinto bem.

TA: Onde se enquadra Mora, na vida de um artista que vive em Lisboa e estudou em Londres?

JPN: Este trabalho sobre Mora surge como consequência da minha ligação a uma associação cultural que nasceu nesta vila alentejana, a Estação Imagem, de que sou sócio fundador, que promove há seis anos um prémio anual de fotojornalismo.

TA: Além de Mora, será que o Alentejo em si é uma paixão ou um refúgio?

JPN: Posso dizer que é ambas as coisas. O Alentejo, nomeadamente a região de Évora, foi desde a minha juventude lugar de amizades e afetos e não surpreende que fosse aqui que mais tarde na vida viesse construir um refúgio.

Além destes trabalhos sobre Mora tenho um outro que é um passeio pelo concelho de Arraiolos, e um livro sobre a "Igrejinha - Uma Aldeia no Alentejo". É um livro com o desenho das fachadas das casas ao longo das ruas da aldeia que inclui um interessante texto do historiador Manuel J. C. Branco, natural da Igrejinha. Ilustrei também dois livros em colaboração com Antonieta Félix, do Redondo, autora de textos para crianças, um "O Fluviário de Mora Por Dentro e Por Fora" outro "12 Meses para Contar 12 Meses para Rimar". Creio portanto que há algo de paixão e também de refúgio na minha relação com o Alentejo.

TA: Fale-nos um pouco de como surgiram estas aguarelas que estarão expostas em Mora, no próximo dia 10 de outubro. O que podemos ver e sentir nos ambientes retratados?

JPN: Inicialmente surgiram como um projeto da Estação Imagem para fazer um calendário de oferta. Posteriormente achei que merecia ser mais desenvolvido de forma a cobrir todas as freguesias do concelho tanto em aspetos de arquitetura como de paisagem. Ainda foi produzido um segundo calendário pela C. M. de Mora.

TA: O que representam para si a arte e arquitetura rupestre alentejana, presente em algumas/várias das suas obras?

JPN: A arquitetura rupestre tem uma expressão muito importante no concelho e a sua inserção na paisagem é muito interessante.

TA: De quem foi a iniciativa ou a ideia de produzir a exposição na Casa da Cultura?

JPN: A exposição surge como proposta da Casa da Cultura.

TA: Além dos desenhos selecionados, esta coleção conta com mais obras ainda por divulgar?

JPN: Esta coleção sobre o Concelho de Mora vai ser mostrada na totalidade e compreende 36 desenhos.

TA: Como acha que a população local irá ver e reagir à exposição e a cada um dos quadros?

JPN: É sempre uma incógnita, mas levando em consideração a aceitação tão positiva que os calendários tiveram aquando da sua publicação, estou em crer que as pessoas vão gostar de ver os desenhos originais.

TA: Em breve, depois destas obras, quais são os planos e projetos de futuro onde poderemos encontrar o trabalho do José?

JPN: Não há planos muito concretos, mas há a intenção de voltar a expor os desenhos do livro sobre a Igrejinha, desta vez em Évora, na associação "É neste país". Continuo a tentar editar um trabalho sobre a carreira de eléctrico 28 em Lisboa. Vamos ver...

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