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ÉS.

Não te julgues. Não te deves julgar. A cada passo, cada pensamento, a tua mente entope-se de ideias sem que tenham nexo algum ou que constituam em ti uma voracidade de te conheceres melhor. Não te queres conhecer. És. Existes aqui e agora, não te interessa o futuro e o passado, esse não o podes mudar.

GAMBOZINOS

Quando eu era novo, era caçador e pescador. Desportivo. Adorava caçar e ir à pesca. Nada me dava tanto prazer como perder-me pelos campos e nos ribeiros e rios com os amigos, à caça e à pesca. Nos campos perto de casa e mais longe, a muitos quilómetros de distância, partíamos em carrinhas cheias de gente. Grandes grupos de amigos que se juntavam aos fins-de-semana para umas boas caçadas. Muito mais do que uma caçada ou pesca, era uma oportunidade de celebrar a amizade.

SANDES DE COURATOS OU A FEIRA

Bem me apetecia agora uma sandes de couratos. Dizia o homem para a mulher na carrinha Nissan de caixa aberta. Iam os quatro lá dentro. O homem, a mulher, o filho de 10 anos e a filha de oito. A mim o que me apetecia era uma fartura, com o açúcar e a canela em volta, ainda quentinha. Ai, aquele cheirinho que sai do carro das farturas. A mim, era mesmo um frango assado, mãe. Lá na roulotte do senhor António. Um frango, batatas fritas e uma salada, com um Sumol fresquinho. Ai, que saudades. Pai, nunca mais chegamos à feira? Dizia a mais nova da carrinha.

VERTIGENS

Andava em cima das ripas e dos andaimes como se fosse um bailarino. Andava tão alto nos andaimes e dançava ao som da música que o velho rádio tocava incessantemente desde as 8 da manhã, hora de pegar o trabalho, até às 5 da tarde, hora de largar o batente. Parecia um dançarino sem calças de licra. Tinha, no lugar das sabrinas de dança, botas de trabalho pingadas com restos de cimento e o pó da areia e do próprio cimento em si.

CICATRIZ

Caiu quando era pequenino. Andava brincando junto do monte, em cima de umas rochas e escorregou, bateu com a testa numa das pedras e fez um largo golpe, de onde o sangue começou a jorrar de imediato. O miúdo assustou-se e começou a chorar incessantemente, enquanto as lágrimas e o sangue se misturavam e desciam a sua pele de criança. As pestanas e a sobrancelha do lado esquerdo, onde a pedra fizera o corte estavam, todas elas ensanguentadas.

AS FIGUEIRAS DO BARLAVENTO

Antonieta deitou-se cedinho nesse dia. Mal o sol escapuliu atrás do monte e das azinheiras, comeu as sopas de pão junto com a família e pôs-se debaixo das mantas que, nessa altura do ano eram poucas pois os dias de calor já tinham chegado e não dava jeito nenhum dormir com mantas pesadas e quentes em cima, mais a camisa de dormir, num colchão de barbas de milho. Bem, com mais ou menos calor lá adormeceu tendo sempre na cabeça a manhã do dia a seguir.

70 MIL RÉIS

Uma história tantas vezes contada e vivida

 

O TALEIGO

ta·lei·go 

(árabe ta'lîqa, saco, bolsa)
 

substantivo masculino

1. Saco longo e estreito.

2. Cesto ou saco para transportar comida.

"taleigos", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/taleigos [consultado em 05-01-2017].

 

O BAILE DAS VÉSPERAS

Véspera de Natal. Sábado, dia 24 de dezembro de há muitos anos atrás. A noite caía cedo nessas alturas, aliado ao facto de não haver eletricidade e, portanto, sem qualquer luz artificial. Via-se apenas aquilo que a Lua e as estrelas alumiavam, lá de cima do céu, quando este estava aberto. Quando estava nublado ou chovia, era o breu completo e andávamos todos aos pontapés com as pedras e com as moitas na beira dos caminhos de cabra que existiam nessa altura.

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