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Sociedade

SOMOS HISTÓRIAS

Acho que em algum momento da minha escala de crescimento e desenvolvimento pessoal, no foro privado dos espaços interiores onde me vou calculando, a parte do meu cérebro que lidava com os “tanto faz”, que não se importava com as conversas de circunstância, que não se incomodava com a maldade mascarada de preocupação e princípios desligou e nunca mais voltou a funcionar. Ou isso ou a sociedade, compreenda-se em todos os seus níveis, conseguiu o excelente talento de retroceder ao avançar. – Devo confessar, compreendo.

ÉS.

Não te julgues. Não te deves julgar. A cada passo, cada pensamento, a tua mente entope-se de ideias sem que tenham nexo algum ou que constituam em ti uma voracidade de te conheceres melhor. Não te queres conhecer. És. Existes aqui e agora, não te interessa o futuro e o passado, esse não o podes mudar.

GAMBOZINOS

Quando eu era novo, era caçador e pescador. Desportivo. Adorava caçar e ir à pesca. Nada me dava tanto prazer como perder-me pelos campos e nos ribeiros e rios com os amigos, à caça e à pesca. Nos campos perto de casa e mais longe, a muitos quilómetros de distância, partíamos em carrinhas cheias de gente. Grandes grupos de amigos que se juntavam aos fins-de-semana para umas boas caçadas. Muito mais do que uma caçada ou pesca, era uma oportunidade de celebrar a amizade.

VERTIGENS

Andava em cima das ripas e dos andaimes como se fosse um bailarino. Andava tão alto nos andaimes e dançava ao som da música que o velho rádio tocava incessantemente desde as 8 da manhã, hora de pegar o trabalho, até às 5 da tarde, hora de largar o batente. Parecia um dançarino sem calças de licra. Tinha, no lugar das sabrinas de dança, botas de trabalho pingadas com restos de cimento e o pó da areia e do próprio cimento em si.

CICATRIZ

Caiu quando era pequenino. Andava brincando junto do monte, em cima de umas rochas e escorregou, bateu com a testa numa das pedras e fez um largo golpe, de onde o sangue começou a jorrar de imediato. O miúdo assustou-se e começou a chorar incessantemente, enquanto as lágrimas e o sangue se misturavam e desciam a sua pele de criança. As pestanas e a sobrancelha do lado esquerdo, onde a pedra fizera o corte estavam, todas elas ensanguentadas.

AS FIGUEIRAS DO BARLAVENTO

Antonieta deitou-se cedinho nesse dia. Mal o sol escapuliu atrás do monte e das azinheiras, comeu as sopas de pão junto com a família e pôs-se debaixo das mantas que, nessa altura do ano eram poucas pois os dias de calor já tinham chegado e não dava jeito nenhum dormir com mantas pesadas e quentes em cima, mais a camisa de dormir, num colchão de barbas de milho. Bem, com mais ou menos calor lá adormeceu tendo sempre na cabeça a manhã do dia a seguir.

70 MIL RÉIS

Uma história tantas vezes contada e vivida

 

O TALEIGO

ta·lei·go 

(árabe ta'lîqa, saco, bolsa)
 

substantivo masculino

1. Saco longo e estreito.

2. Cesto ou saco para transportar comida.

"taleigos", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/taleigos [consultado em 05-01-2017].

 

2016 UM “ANO DE LOUCOS”

Com grandes perdas

O ano de 2016 foi sem dúvida marcado por perdas, pelo desaparecimento de grandes personalidades que marcaram o século XX.

Em todas as áreas da sociedade perdemos pessoas que deram um grande contributo nas conquistas da humanidade e do país: Muhammad Ali e Cruijff no Desporto; Prince, David Bowie e Leonard Cohen na música; Almeida Santos na Política; Alan Rickman e Nicolau Breyner na representação; Umberto Eco pelos contributos historiográficos ou João Lobo Antunes e Nuno Teotónio Pereira na Medicina e Arquitectura, respectivamente.

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