13 Fevereiro 2016      01:03

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O ÚLTIMO GRANDE PENSADOR PORTUGUÊS

Faria hoje 110 anos um dos últimos grandes pensadores portugueses. Nascido no Porto em 1906, George Agostinho Baptista da Silva foi filósofo, foi poeta, foi ensaísta e pedagogo; os seus pensamentos são de tal modo marcantes que ainda hoje se mantêm bem vivos nos círculos intelectuais portugueses.

Uma mistura de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, com forte afirmação da Liberdade no seu máximo esplendor e da realização do Ser Humano. Com grandes preocupações – e conselhos – sobre a vida em sociedade e sobre as mudanças necessárias para uma vida, quer individual, quer coletiva, com muito mais significado e tolerância pelo próximo.

Ele próprio se definiu do seguinte modo: “Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo, cada um deles só exprime metade da vida. Sou do paradoxo, que a contém no total."

Era licenciado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto – licenciatura que concluiu com 20 valores – escreveu para a revista Seara Nova, e com 23 anos, doutorou-se com louvor ao defender a sua tese "O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas".

Estudou em França, na Sorbonne e no Collège de France e, ao regressar a Portugal, foi professor do ensino secundário, sendo que a sua recusa em assinar a Lei Cabral - obrigava todos os funcionários públicos a declararem por escrito que não participavam em organizações secretas e que eram consideradas subversivas pelo regime – significou o fim do seu elo com o Estado.

Como bolseiro do Ministério das Relações Exteriores de Espanha estuda em Espanha no Centro de Estudos Históricos de Madrid e ao regressar a Portugal cria o Núcleo Pedagógico Antero de Quental, tendo sido preso pela PIDE e vivido posteriormente no Brasil, Uruguai e Argentina, dada a sua oposição ao Estado Novo.

Com a morte de Salazar regressa a Portugal e dedica-se a lecionar em diversas universidades portuguesas e a dirigir o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, (o atual Instituto Camões).

A sua sequência de 13 entrevistas na RTP, “Conversas Vadias”, em 1990 – disponíveis para visualização na internet são uma amálgama de pensamentos e ensinamentos no estado mais puro de genuinidade e simplicidade com fortes marcas de elevados valores humanistas.

Quatro anos depois, em 1994, viria a falecer no Porto.

Eduardo Lourenço, ensaísta e atual membro do Conselho de Estado, disse que Agostinho "não era parecido com ninguém, exceto com ele próprio" e que foi um dos “Homens mais extraordinários que me foi dado conhecer.”

Um dos grandes conhecedores e biógrafo de Agostinho da Silva é o Professor António Cândido Franco – docente do Departamento de Linguística e Literaturas Universidade de Évora – que escreveu a biografia “O Estranhíssimo Colosso”.
 

Agostinho da Silva deixou uma vasta obra com inúmeros textos pedagógicos, ensaios filosóficos, novelas, artigos, poemas, e reflexões sobre a religião, História e Cultura.

 

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